quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A MADEIRA COMO MAU EXEMPLO PARA APLICAÇÃO DOS FUNDOS EUROPEUS


A chanceler alemã, Angela Merkel, deu na terça-feira a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, sublinhando que naquela região autónoma estas verbas "serviram para construir túneis e auto-estradas, mas não para aumentar a competitividade".

"Quem já esteve na Madeira, pôde ver para onde foram os fundos estruturais europeus. Há muitos túneis e auto-estradas bonitas, mas isso não contribuiu para que haja mais competitividade", observou a chefe do governo alemão, numa palestra proferida perante alunos, na Bela Foundation, em Berlim, noticiada esta noite pela RTP.

Na opinião de Merkel, os referidos fundos devem servir para    apoiar as pequenas e médias empresas, por exemplo, como ficou decidido no recente Conselho Europeu, em Bruxelas, e não mais para construir estradas, pontes e túneis, como sucedeu, na sua opinião, naquela região autónoma portuguesa.

A União Europeia aprovou a distribuição de cerca de 350 mil milhões de euros de fundos estruturais pelos Estados-membros no período entre 2007 e 2013, cabendo a Portugal cerca de 25 mil milhões de euros.

Uma proposta franco-alemã aprovada no Conselho Europeu, no início de Fevereiro, prevê o reencaminhamento dos fundos estruturais que ainda não tenham sido orçamentados para criar mais emprego e crescimento económico, sem prejuízo, no entanto, da verba orçamentada para cada país.

Na mesma palestra, Merkel defendeu ainda uma maior transferência de poderes dos Estados-membros para Bruxelas, para que se possam erradicar as deficiências na construção europeia, "que a crise financeira pôs claramente a descoberto", disse. Admitiu, no entanto, que esta mudança "gerará acesos debates" na União Europeia.

A futura união política que resultar destas alterações terá também de ter uma Comissão Europeia "que funcione como um governo europeu", disse ainda. O Conselho Europeu dos 27 chefes de Estado e de governo funcionará como uma segunda câmara do parlamento, prosseguiu Merkel.

A chanceler alemã voltou também a defender a permanência da Grécia no euro, advertindo, no entanto, que Atenas tem de cumprir os compromissos assumidos com a União Europeia e o FMI para receber um primeiro resgate de 110 mil milhões de euros, e para aceder a um segundo empréstimo de 130 mil milhões de euros.

    segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

    CRISE DO EURO


    Crise do euro

    Grécia e troika num braço de ferro, Juncker ameaça com bancarrota



    <p>Manifestantes e sindicalistas do PAME protestaram neste sábado à porta do primeiro-ministro grego</p>
    Manifestantes e sindicalistas do PAME protestaram neste sábado à porta do primeiro-ministro grego
    es entre o Governo grego e a troika internacional sobre as novas medidas que a Grécia terá de adoptar para receber mais ajuda externa entraram numa fase crítica, disse hoje o ministro das Finanças grego. Evangelos Venizelos queixa-se da pressão dos parceiros de negociação, um processo que, pelo que diz o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, parece mais um braço de ferro.

    “A distância que separa as negociações do bloqueio é muito curta”, afirmou o ministro grego numa declaração à imprensa, depois de ter participado numa teleconferência com os ministros das Finanças do Eurogrupo. Evangelos Venizelos disse que a teleconferência “foi difícil”, adiantando que, “da parte dos parceiros europeus, há muita pressão e impaciência”. “O momento é crucial. Tudo deve estar concluído amanhã [domingo] à noite. Estamos no fio da navalha", disse o mesmo responsável, em declarações citadas pela agência noticiosa Reuters.

    Juncker, por seu lado, diz numa entrevista que será publicada na segunda-feira, na revista alemã Der Spiegel que se a Grécia não avançar com as reformas necessárias, não haverá salvação possível para os gregos. “No caso de chegarmos à conclusão que as culpas são todas da Grécia, não haverá um novo programa [de ajudas], o que significa que em Março se produzirá a declaração de quebra”, afirma Juncker, nessa entrevista cujos excertos foram divulgados por antecipação neste sábado.

    Segundo o ministro das Finanças grego, já há acordo sobre a recapitalização dos bancos, não tendo sido ainda alcançado um consenso sobre a redução dos salários do sector privado e as medidas para reduzir a despesa pública.O governo grego e os banqueiros negoceiam há já três semanas um acordo para um perdão de 100 mil milhões de euros da dívida do país e evitar que este entre em falência. 

    O perdão de parte da dívida grega pelos credores privados está incluído num pacote que abrange a legitimação do segundo programa de resgate de 130 mil milhões de euros, aprovado na cimeira europeia de Outubro e que volta a envolver a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu). 

    O governo grego necessita de fechar o acordo para receber o novo pacote de auxílio antes de 20 de Março, quando terá de reembolsar 14.500 milhões de euros aos detentores da sua dívida pública. Para Jean-Claude Juncker, que também lidera o Governbo do Luxemburgo, a simples possibilidade da insolvência do país deveria “dar aos gregos músculos, ao passo que neste momento apenas dão sinais de paralisia”, lamentando o atraso no processo de privatizações.

    “A Grécia deveria saber que não vamos ceder no tema das privatizações”, advertiu Juncker, destacando o mau contributo que a “existência de elementos corruptos em todos os níveis da administração” dá para a imagem do país.

    Venham que há muitos empregos disponíveis”

    Madalena Queirós 
    06/02/12 20:42
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    O presidente da Câmara de Schwäbisch Hall convida os portugueses a irem para a cidade.
    Dirige a cidade de Schwäbisch Hall há 12 anos, mas antes conheceu o mundo como representante da Fundação Friedrich Ebert . Por causa da falta de mão-de-obra qualificada decidiu convidar jornalistas de países com elevado desemprego para dar a conhecer as oportunidades de emprego. O Diário Económico foi o escolhido em Portugal.
      Porque é que está a apelar aos portugueses para que venham para a sua cidade?
      Sou uma pessoa que viajou por toda a Europa e pelo mundo. Acredito que pessoas de todo o mundo podem viver num local e combinar as suas diferentes culturas e funcionar como uma cidade multinacional onde todos vivam em paz e harmonia juntos. Na Alemanha, o espaço rural é uma zona muito desenvolvida industrialmente. Na cidade de Schwäbisch Hall existem inúmeras oportunidades de trabalho e boas condições de vida, assim como actividades culturais, e poucos sabem que nesta área há oportunidades. Normalmente, os estrangeiros pensam em ir para cidades como Berlim e Munique e nestes casos as taxas de desemprego são elevadas. Ninguém pensa em procurar trabalho em cidades pequenas como esta e é preciso que o comecem a fazer. Há muitos empregos disponíveis e isso tem que ser divulgado nos países que tem elevadas taxas de desemprego.
      Não conseguem os recursos humanos qualificados que necessitam?
      O problema é que o crescimento económico na região foi muito superior ao crescimento da formação da mão-de-obra qualificada. Na nossa cidade já temos trabalhadores de mais de cem países do mundo. Mas a velocidade da imigração não é suficiente para preencher todas as vagas.
      Todos os meses têm mais de duas mil vagas?
      Sim. É um movimento crescente porque temos muitas indústrias que estão a desenvolver-se e mensalmente surgem novos empregos. Actualmente, qualquer desempregado consegue um emprego em três meses.
      É necessário saber alemão?
      Se pensarmos em trabalhadores com uma elevada qualificação como engenheiros, investigadores ou da área de ciência e tecnologia, toda a gente nestas áreas fala inglês. Mas se o trabalho for na indústria de empacotamento ou num sector em que é necessário falar com os colegas, neste caso eles falam alemão. É melhor saber algum alemão, excepto nos empregos que exijam uma elevada qualificação. Mas é preciso aprender alemão. As empresas maiores financiam cursos de alemão para quem queira vir. Mas as mais pequenas não o podem fazer.
      É uma cidade que recebe bem os estrangeiros?
      A Alemanha é um país muito diverso. Sempre teve um grande movimento cultural e tem pessoas de todo o mundo, por isso a integração não só é possível como é fácil.
      E quem venha com a sua família?
      A cidade de Schwäbisch Hall tem todo o tipo de oferta educativa, a começar dos zero aos três anos. Depois, dos três aos seis, temos um apoio especial para o desenvolvimento da língua. Se uma criança for para o jardim-de-infância poderá ter apoio no desenvolvimento da língua.
      Como convidaria um português a vir para cá ? 
      Venham, informem-nos e a administração local dará todo o apoio necessário. Temos os braços abertos e terão oportunidades. E depois poderão regressar a Portugal passado alguns anos, com a tecnologia e o conhecimento alemão e abrir o seu próprio negócio, quem sabe...

      O presidente da Câmara de Schwäbisch Hall convida os portugueses a irem para a cidade.
      Dirige a cidade de Schwäbisch Hall há 12 anos, mas antes conheceu o mundo como representante da Fundação Friedrich Ebert . Por causa da falta de mão-de-obra qualificada decidiu convidar jornalistas de países com elevado desemprego para dar a conhecer as oportunidades de emprego. O Diário Económico foi o escolhido em Portugal.
        Porque é que está a apelar aos portugueses para que venham para a sua cidade?
        Sou uma pessoa que viajou por toda a Europa e pelo mundo. Acredito que pessoas de todo o mundo podem viver num local e combinar as suas diferentes culturas e funcionar como uma cidade multinacional onde todos vivam em paz e harmonia juntos. Na Alemanha, o espaço rural é uma zona muito desenvolvida industrialmente. Na cidade de Schwäbisch Hall existem inúmeras oportunidades de trabalho e boas condições de vida, assim como actividades culturais, e poucos sabem que nesta área há oportunidades. Normalmente, os estrangeiros pensam em ir para cidades como Berlim e Munique e nestes casos as taxas de desemprego são elevadas. Ninguém pensa em procurar trabalho em cidades pequenas como esta e é preciso que o comecem a fazer. Há muitos empregos disponíveis e isso tem que ser divulgado nos países que tem elevadas taxas de desemprego.
        Não conseguem os recursos humanos qualificados que necessitam?
        O problema é que o crescimento económico na região foi muito superior ao crescimento da formação da mão-de-obra qualificada. Na nossa cidade já temos trabalhadores de mais de cem países do mundo. Mas a velocidade da imigração não é suficiente para preencher todas as vagas. 
        Todos os meses têm mais de duas mil vagas?
        Sim. É um movimento crescente porque temos muitas indústrias que estão a desenvolver-se e mensalmente surgem novos empregos. Actualmente, qualquer desempregado consegue um emprego em três meses.
        É necessário saber alemão?
        Se pensarmos em trabalhadores com uma elevada qualificação como engenheiros, investigadores ou da área de ciência e tecnologia, toda a gente nestas áreas fala inglês. Mas se o trabalho for na indústria de empacotamento ou num sector em que é necessário falar com os colegas, neste caso eles falam alemão. É melhor saber algum alemão, excepto nos empregos que exijam uma elevada qualificação. Mas é preciso aprender alemão. As empresas maiores financiam cursos de alemão para quem queira vir. Mas as mais pequenas não o podem fazer. 

        É uma cidade que recebe bem os estrangeiros?